A meia luz ele observa o vazio, mas não a ausência de objetos palpáveis, ele sentia um vazio constante. Que a princípio ele tentava desesperadamente preencher com tudo que aparecia. E nada.
Ele se sentia desafortunado, pois nada supria a falta de algo que ele sentia.
Era uma sensação de dor aguda, uma sensação daquelas quando se tem vontade de comer algo e não se sabe o que é. E justamente essa questão "não saber o que é" o torturava com tamanha vontade e se deliciava com isso seja lá quem fosse.
Destino, tempo, Deus o nome é só um título, um rótulo, alguém a quem ele responsabilizava por seus infortúnios, suas mágoas, suas dores, seus vazios.
Sua busca é um eterno labirinto, pois ele está perdido de si em si. A bússola não aponta para o norte e o céu não tem estrelas, ele é escuro, escuro como seu medo mais profundo.
Ele senta e pensa em qual seria a saída.
Ele se pergunta se aquilo é real, se ele é real.
Por que isso tudo é apenas o início, o início da descoberta, do desapego, seu ego se contorce desesperado, almejando tudo que o mundo lhe oferecia, mas não pode mais provar.
Por isso o silêncio, o vazio. Por que o tratamento é de choque experimental.
Ele está se purificando, pra criar um monstro puro.
Ele está iniciando a caminhada para a queda do precipício, quer ver além do que jamais viu. Mas não quer pagar o preço.
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